
- Autorizaram a gente a começar a obra, mas aí começaram as pressões para a gente pagar - disse o construtor Edmar Gomes Ribeiro.
A obra, orçada em um R$ 1 milhão, foi financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, do Governo Federal. Nesse sistema, os prefeitos administram os recursos e pagam diretamente às empreiteiras. O construtor afirma que foi o próprio o prefeito de Monte Castelo, Odair Silis, do PMDB, quem pediu o dinheiro para liberar a verba pública.
Com uma câmera escondida, uma equipe do Jornal Nacional registrou o encontro com o prefeito. Segundo o construtor, Odair Silis tinha exigido R$ 8 mil como primeiro pagamento. Mas o construtor entregou apenas R$ 4 mil.
O prefeito fica desconfiado e pergunta se tem mais alguém no canteiro de obras.
Edmar - Só R$ 4 mil está bom, né?
Prefeito - Não tem ninguém aqui, não?
Edmar - Não tem não, só se tiver pra lá. Não, não tem não. Você conta aí, porque dinheiro se conta. Porque depois...
Prefeito - Pra mim não precisa nem contar.
Edmar - Dois...
Prefeito - Com cuidado, se não nego fica...
Edmar - Não, não tem ninguém aqui não. Por isso que eu não fui lá também e vai faltar quanto agora?
Prefeito - Tudo.
O prefeito fica irritado com o pagamento de apenas uma parte da propina.
Edmar - Quatro conto não te ajudou muito não?
Prefeito - Me ajudou pouco.
Edmar - Está precisando de mais, né? Eram R$ 8 mil, mas eu pensei que...
Prefeito - É oito. E cadê os oito?
Antes de ir embora, o prefeito exige ainda mais dinheiro no próximo encontro.
Prefeito - Tem que dar aquilo lá. Na próxima, dez.
Edmar - Dez mil? Você vai acabar matando a empreiteira. A empreiteira já morreu.
Prefeito - Certo?
Edmar - Certo.
(O Globo).
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