sexta-feira, 8 de abril de 2011

Impasse faz Vale adiar investimento de R$ 2 bi em Minas

Comunidade em Patrocínio vai desaparecer com empreendimento

A reação de 68 produtores rurais da comunidade de Santo Antônio da Lagoa Seca, em Patrocínio, no Alto Paranaíba, levou a Vale Fertilizantes (antiga Fosfértil) a adiar por um ano o investimento de R$ 2 bilhões na mina de fosfato e unidades industriais para a produção de ácido sulfúrico e ácido fos-fórico, insumos para produção de fertilizantes. O prefeito do município, Lucas de Campos Siqueira (PPS), disse ter recebido de um diretor de operações da empresa a informação do adiamento, em razão do impasse sobre as desapropriações. A Vale não se manifestou sobre o assunto.

A polêmica começou com o decreto da prefeitura que destinou uma área de 4.700 hectares para fins de utilidade pública. Segundo os moradores da região, a audiência pública em que foram apresentados o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), definiu que a área atingida seria de 829 hectares. Posteriormente, a Vale teria solicitado um total de 1.600 hectares, com a finalidade de incluir a reserva legal.

O clima na cidade é definido pelo prefeito como "um barril de pólvora". De um lado, ele reclama da intransigência dos proprietários rurais, e teme perder o investimento para outro município. A sua justificativa para a ampliação da área é instalação de um distrito industrial no local. De outro, os produtores lutam contra a desvalorização das terras, a maioria dedicada ao cultivo de café. O vice-prefeito Fausto Amaral (PPS) diz ter recebido até ameaça de morte por causa da polêmica, mas representantes dos ruralistas garantem que isso não aconteceu e exigem negociação.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patrocínio, João Batista Ferreira, afirma que se o decreto não for revogado, a questão poderá parar na Justiça. "O que foi aprovado na audiência pública foi uma área de 829 hectares", disse, defendendo que a planta industrial da Vale Fertilizantes seja erguida em terras menos produtivas para a agricultura.

"A Vale não quer comprometer o seu nome com este clima. Se encontrar outro terreno na região, podemos perder R$ 2 bilhões de investimento, 2 mil empregos e todo movimento econômico que seria gerado a partir daí. Já conseguimos um curso superior de Engenharia Química para a cidade, por exemplo, por causa da empresa", argumenta Lucas Siqueira, garantindo que "luta" junto à empresa para que os preços pagos pela mineradora pelas propriedades sejam "justos". Em caso de recusa dos proprietários, os terrenos podem ser desapropriados pela prefeitura, que arcaria com as indenizações.

Na Câmara Municipal, um projeto de decreto-lei tenta suspender os efeitos do decreto de autoria do prefeito. Segundo seu autor, vereador Humberto Donizete Ferreira (PRTB), a desvalorização das propriedades já estaria em 50%. "Os moradores querem conversar. Ninguém aqui é contra a planta química, mas ninguém pode sair no prejuízo", argumenta o vereador. (Fonte: R7.com).

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